terça-feira, 7 de agosto de 2012

DA DESTRUIÇÃO DE OURO PODRE


Cecília Meireles*
(...)
Vieram cavalos de fogo:
são do Conde de Assumar.
Pelo Arraial de Ouro Podre,
começa o incêndio a lavrar.

O Conde jurou no Carmo
não fazer mal a ninguém.
(Vede agora pelo morro
que palavra o Conde tem!
Casas, muros, gente aflita
no fogo ralando vêm !)

D. Pedro, de uma varanda,
viu desfazer-se o arraial.
Grande vilania, Conde,
comestes para teu mal.
Mas o que agüenta as coroas
é sempre a espada brutal.

Riqueza grande da terra,
quantos por ti morrerão!
(Vede as sombras dos soldados
entre pólvora e alcatrão!
Valha-nos Santa Ifigênia!
- E isto é ser povo cristão!)

Dorme, meu menino, dorme...
Dorme e não queiras sonhar.
Morreu Felipe dos Santos
e, por ...................................
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Dentro do tempo há mais tempo,
e, na roca da ambição,
Vais-se preparando a teia
dos castigos que virão:
Há mais forcas, mais suplícios
para os netos da tradição.

Embaixo e em cima da terra,
o ouro um dia vai secar.
Toda vez que um justo grita,
um carrasco o vem calar.
Quem não presta fica vivo;
quem é bom, mandam matar.

Dorme, meu menino, dorme...
Fogo vai, fumaça vem...
Um vento de cinzas negras
levou tudo para além...
Dizem que o Conde se ria !
Mas, quem ri, chora também.

Quando um dia fores grande,
e passares por ali,
Dirás: “ Morro da Queimada,
como foste, nunca vi;
Mas, só de te ver agora,
ponho-me a chorar por ti:

Por tuas casas caídas,
pelos teus negros quintais,
Pelos corações queimados
em labaredas fatais,
- Por essa cobiça de ouro
que ardeu nas minas gerais.”

Foi numa noite medonha,
numa noite sem perdão.
Dissera o Conde: “Estais livres.”
E deu ordem de prisão.
Isso, Dom Pedro de Almeida,
é o que faz qualquer vilão.

Dorme, meu menino, dorme...
Que fumo subiu pelo ar!
As ruas se misturaram,
tudo perdeu lugar.
Quem vos deu poder tamanho,
Senhor Conde de Assumar?

“Jurisdição para tanto
não tinha, Senhor, bem sei...”
(Vede os pequenos tiranos
que mandam mais do que o Rei!
Onde a fonte do ouro corre,
apodrece a flor da Lei!)

Dorme, meu menino, dorme,
- que Deus te ensine a lição
dos que sofrem neste mundo
violência e perseguição.
Morreu Felipe dos Santos:
Outros, porém, nascerão.

Não há Conde, não há forca,
não há coroa real
Mais seguros que estas casas,
que estas pedras do arraial,
deste Arraial do Ouro Podre
que foi de Mestre Pascoal.
Fonte: MEIRELES, Cecília. Romanceiro da inconfidência. In: Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993.

*Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira.

DESAFIO DE HISTÓRIA

Leia atentamente o poema de Cecília Meireles, pesquise em livros, revistas, sites, entre outras fonte e responda:

NO CADERNO:

1) Liste os nomes dos personagens que aparecem no poema. Explique quem é cada um deles.
2) De que revolta Cecília trata no poema?
3) Explique qual o motivo da revolta.
4) Quando e onde ela aconteceu?
5) Quais os seus resultados?
6) A quinta estrofe é dedicada por Cecília Meireles a rememorar a morte de Filipe do Santos (um dos personagens envolvidos nesta “trama”). É hora de usar sua criatividade. É o momento de virar poeta.

Pesquise como aconteceu a morte de Filipe dos Santos, bem como o que foi feito com seu corpo. Em seguida inspire-se, transforme estas informações em poesia e publique como comentário de nosso blog.

(Esta atividade conta como parte das avaliações de História – Prof. Fernando).