segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ser pseudo estudante


por Júlia,

Olá pessoal do blog, estou postando uma crônica minha a pedido da turma (viu só Geilza). E também acrescento que apesar do meu esforço não sou uma pseudo estudante, e também não quero que vocês leitores tornem-se um. Fiz a crônica apenas para compartilhar uma reflexão sobre nossa realidade como estudantes.

Ser um pseudo estudante é ir a aula, olhar de soslaio o professor e dividir essa visão com um livro pousado no colo. É criptografar gírias (existentes apenas nos diálogos do seu pequeno circulo de amizade) nas linhas da última folha de seu caderno, e ainda, usar este mesmo caderno, de no máximo 96 páginas, para todas as matérias desde o começo do segundo trimestre até o final do ano. É preciso também já o ter usado no ano anterior.

Ser um pseudo estudante é ainda comprar mais seis cadernos no próximo ano (mesmo que na lista escolar esteja especificado onze ao total) e prometer a si mesmo que terá mais organização no futuro. Graças ao senso ambiental do pseudo estudante, ele trata de rabiscar bem os cinco cadernos não utilizados antes de  abandoná-los numa gaveta.

Ser pseudo estudante é estar equipado de uma pseudo mochila que nada mais é do que uma bolsa ecológica de alguma entidade ambiental que o pseudo estudante furtou do armário de seus pais. Como para esconder a prova do crime, o pseudo estudante rabisca também sua pseudomochila. Ele então pode se consagrar como um verdadeiro pseudo artista.

Ser pseudo estudante não é ser burro ou irresponsável, é estar sempre sobrevoando uma linha tênue que percorre seu imaginário durante as aulas, e no final de um trimestre ter na verdade que parar de sobrevoar essa linha e começar a andar em outra, compreendida na vida real como média escolar. É preciso lembrar que a média de um pseudo estudante é de cinco para matemática e seis para o restante.

Ser pseudo estudante é odiar a escola, mas, querer voltar á ela no meio das férias. É ter pena dos professores, desgostar de muitos e almejar ser um no futuro. Sim, pois um pseudo estudante não liga muito para o capital. É criticar sobre o espelho de classe, criticar sobre a perda de ponto quando exclama algo na sala (sempre sobre o pretexto sinceríssimo da involuntariedade da alma de tornar audível os suas críticas quanto a aula), é criticar sobre ter de copiar algo do quadro, de escrever algum texto, sobre  algum exercício a ser realizado em sala, mas dar graças a Deus quando a educação física é em produção textual.

Ser um pseudo estudante é ser um verdadeiro pesquisador dos conhecimentos básicos, trazendo a seu grupo bandas novas a serem ouvidas, shows a serem vistos, teatros a serem assistidos, e uma enorme biografia já decorada de seu artista preferido. Um pseudo estudante pode ter opiniões difusas, pois acha Báscara apenas um nome engraçado, acha sem graça alguma teoria descoberta na ciência, mas entende que uma música de um álbum qualquer define toda a amplitude das suas experiências vividas.

Ser um pseudo estudante é levar as críticas além da matéria e do currículo escolar, é saber se portar numa discução sobre as injustiças sociais ou sobre a situação do país. E por isso mesmo o pseudo estudante pode ser mais compreensivo e solidário com o outro do que qualquer aluno esforçado que muitas vezes teme sair das barreiras disciplinares para compreender o que ocorre ao seu redor.

Ser pseudo estudante, acima de tudo, é querer aprender muito, quase tudo, desde que para isso não tenha que sentar e olhar a um quadro negro. É que por sinal, o pseudo estudante é pseudo apenas aos seus colegas, mas para uma mente (sempre errônea e complicada) de qualquer professor, o pseudo estudante serve como parâmetro para definição de um estudante normal.

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