sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Inconsciente Coletivo

 por: Lakshmi Jaya              

                         
Olivia acordou atrasada, se arrumou em poucos minutos e desceu correndo as escadas do seu prédio para conseguir pegar a tempo seu ônibus.

Valeu a pena sair sem pentear o cabelo, escovar os dentes, tomar um suco ou passar uma leve maquiagem para mascarar suas olheiras, proveniente de uma rotina cheia de trabalhos, provas, treinos de alongamento e de elasticidade.

Cansada, em pé no ônibus, Olivia sacode de um lado pro outro segurando no ombro direito a mochila pesada. Observa as pessoas enquanto resmunga e critica a inutilidade daqueles que estão sentados e raramente oferecem-se para segurar uma mochila ou as sacolas de um passageiro em pé.

Chegando ao Ticen (terminal de ônibus), Olivia desce do ônibus, finalmente podendo respirar um ar livre. Suas pernas quase com cãibra após ficarem 40 minutos rigidamente em pé tendo que sustentar além de seus 59 quilos, uma mochila lotada de livros, pastas e bugigangas. Olivia caminha saltitante, sorrindo para o dia e brincando com os feixes de sol que cegam seus olhos e aquecem sua pele ressecada pelo inverno.

De uma plataforma para a outra, um pouco antes da catraca, a garota vê uma pessoa caída no chão, indiferentemente passa os olhos pela vítima (Egoísta? Não. Do que adianta um olhar de pena?).  Olivia passou reparando no acúmulo de pessoas ao redor da situação. A grande maioria das pessoas eram fofoqueiras, ficavam só olhando, como se isso fosse ajudar em algo.

Em frente ao próximo ônibus, Olivia entra pela porta do meio e percorre-o lentamente na esperança de encontrar um assento vago. No fundo do ônibus, após procurar por uns segundos, encontra um banco desocupado. Não é o da janela, mas ao menos sentada ela poderia tirar um cochilo. Encostou levemente a bunda no banco, quando de repente entra um idoso ao veiculo. “Ah droga!” – pensa Olivia. O senhor passa a catraca e fica em pé, se segurando bem ao lado dela. Olivia olha para os lados, na esperança de alguém tomar alguma atitude de educação, mas já era de se esperar, ninguém cede o assento. Olivia fecha os olhos.

Levanta-se contra a vontade de suas pernas tremulas e oferece seu lugar para o senhor. Ele dá em troca um sorriso satisfatório e se senta alegremente no banco.
E Olivia mais uma vez está ali, de pé, com a mochila pesada batendo de um lado pro outro. “Ah como é bom ser diferente, ser educada” – pensa a menina. Abre os olhos.

Chegou ao seu ponto de descida e o senhor ainda está parado de pé ao seu lado. Olivia sonhadora espera uns instantes, e quando toma vergonha na cara, se levanta para puxar a campainha do ônibus.  De cabeça baixa, e com o rabo entre as pernas, Olivia sai do veiculo envergonhada por ter sido mais uma individualista que pela busca do conforto fecha os olhos e dorme diante das obrigações sociais.


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